EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA:

SERES DE LUZ

PELAS LENTES DE ALBERTO LIMA

A fotografia é a forma com a qual me apresento para o mundo; nasci nesse conflito étnico que vive o provo brasileiro. Meu pai me abandonou na infância e minha mãe me levou até a esquina mais próxima de onde estou hoje, poderia dizer que vim sozinho, mas sempre tinha algo que me chamava atenção, conversávamos como se fossemos duas matérias, até tapas já levei, do vento, nada demais, era para não sair da linha. Exú e Ogum meus tutores mais presentes insistem em não se materializar, mas estão sempre ao redor; construí tudo que tenho com meus esforços e a ajuda de alguns que eu nem sei de onde vieram e se realmente estiveram presentes. Depois de passar pela escravidão do mercado de trabalho que a sociedade pós-escravocrata me direcionou, quebrei as correntes e me fiz livre; dança, música, capoeira, teatro e poesia foi só um pretexto para eu saber que era preto e tinha uma missão: escrever com a luz as manifestações do meu tempo para que as próximas gerações saibam dos nossos feitos nas ciências, tecnologias, sociedade e que muitos dos equipamentos, instrumentos, tecnologias sociais, filosóficas e bélicas são os primeiros passos na nossa insurgência às grandes invenções do mundo e têm o DNA do povo preto. Escolhi para este projeto, imagens de homens, mulheres e elementos da cultura afro-brasileira que retratam nossa luta e resistência na contemporaneidade deste país racista que insiste em continuar a exclusão e exploração perversa apesar das nossas contribuições na construção das Américas. A exposição Seres de Luz demostra que juntos venceremos as desigualdades. 

A fotografia é o meu discurso, minha militância, minha forma de estar no mundo.

Nasci Alberto Lima dos Santos, filho de pai ausente, mãe negra, pobre e solteira, comecei a trabalhar cedo para alimentar meus sonhos; longe de querer lhe dar uma carteirada “sabe com quem você está falando?” um homem preto que contrariou as estatísticas e sem formação superior escreveu artigos, Livro autoral, fiz varias exposições e ensinei pessoas a fotografar cumprindo sempre a determinação de Exú, Ogum e toda minha linha de ancestrais. Não sou um grande fotografo apenas acredito no que me é apresentado pela ancestralidade e cumpro minha missão de registrar meu povo, minha cultura.

SOBRE O AUTOR

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